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domingo, 15 de julho de 2007


A xí ca ra

Guarda lembrança, saudade e amargura de vida. Isso era o que diziam, na reunião da minha família, de luto, de um dia. Moisés traga o pó de café! Não dá... Está em grãos. E o que será de minha mãe, era o que falava minha filha. Será viúva, rica e feliz – dizia um infeliz qualquer. O sol já quase se punha e a mesa, na qual deveria acontecer a confraternização, afundava com tantas mãos inquietas. Peguem a xícara do papai – dizia meu menino – ela não pode faltar! É a lembrança. É a saudade e a amargura, completou o irmão. Um corre-corre sem parar de palavras e choros. Eis que chego, o defunto tão esperado para o café. A xícara, minha, cai, das mãos da amada, minha, se despedaça, se desfaz.

Fernanda Oliveira










4 comentários:

fer disse...

Que sonho não? A mente realmente é um mistério.

Flávia disse...

achei incrivel o texto....parabéns mais uma vez Nanda..

Beijosssssssss

Hiro disse...

entre os suspiros de quem estava na mesa.. ouve-se então um grito quase uma gargalhada...
era o tio avó do falecido
... que gritava:
"pega um copo .. café as 3 da tarde não rima comigo... eu quero minha cerveja! O defunto vai me perdoar!"

Hiro disse...

e mais uma coisa..
voltei das ferias!