Alex Cavalcante
Nesga
Este blog é uma Nesga de Vidas, almas, memórias, sentimentos; o Tudo e o Nada de cada Ser que se expõe aqui. Lembrando que isso não é uma propriedade, então pode invadir!!!
segunda-feira, 21 de maio de 2012
pulsa
Alex Cavalcante
quinta-feira, 26 de abril de 2012
que cresceu demais para o que queria
que o que escorre já tem outro peso
dói mais
demora mais pra passar
demora mais pra entender
pra compreender
pra aceitar
e de repente os silêncios fazem mais parte do que se queria
as incertezas, as dúvidas e os medos já nem se contam mais
isso porque parecia que quanto mais se crescia mais simples seria
poder fazer qualquer coisa
ir a qualquer lugar
e de repente ser o dono de si mesmo pesa
pesa mais do que se sonhava
do que se podia imaginar
e nessa construção
pensamentos ossificados
sensações liquidas
medos santificados
buscas mobiliadas
e são várias paredes brancas
e são vários os silêncios
e você crescido...
segunda-feira, 19 de março de 2012

Como é difícil virar a página
Tocamos nela quase que viramos
Mas revoltamos a página
Re-volta
Luta luta
E o leite já está derramado
Mas persistimos na página
Qual o caminho para sair dessa encruzilhada
Qual o caminho para sair dessa tristeza
Tempo?
Quem é esse Dono de todas as coisas?
Vira página
Mão não fique receosa
Apenas vire
Apenas Mude.
Flávia Pereira
quinta-feira, 15 de março de 2012
Eles

ELA
A menina rodopiou com seu vestido azul
Tivesse flores, talvez
Tinha apenas 16
Tinha vergonha da sombra e suas pernas delgadas também
Sabia ser menina, mas queria ser mulher
Ai ela tropeçou num lugar qualquer e viu
ELE
Que desajeitado de olhos lindos
Quem será ele
Camiseta branca
Como seus braços
Cabelos dourados
Como o sorriso
Eleolhoua
Curiosidade
Nem começo teve foi só olhar
e a certeza de mais uma ilusão
mas decidiram ficarem cercados de incertezas
e o tempo passou...
Flávia Pereira
quarta-feira, 14 de março de 2012
Pra que Fernanda?
Eu respondo a essa pergunta quase todos os dias, acabo sempre respondendo com respostas prontas e objetivas, talvez porque canso de ser interrogada ou simplesmente porque a resposta é complexa, às vezes demorada e quem pergunta tem a pressa semelhante à pergunta: tudo bem?
Mas hoje é diferente, porque quem me perguntou Pra que Fernanda? Pra que Vegana? Fui eu mesma, e não quis uma resposta simples e nem objetiva...
Para tentar me responder lembrei de quando tudo começou... A final já vai fazer dez anos que essa história me rodeia... Quando eu fazia quinze anos iniciei uma fase de vida que denominei: Sexo, Drogas, Rock and roll, Filosofia e Amizade. Encontrei um grupo de pessoas que tentava arduamente viver na paralela, quase como uma vida alternativa, eles discutiam o que era o amor, a liberdade, o vegetarianismo, a anarquia, e tentavam vivenciar... E eu vive no meio dessas discussões, me rasgava em conhecimento e em reflexão. Ouvia eles esbravejarem contra o sistema capitalista, as explorações, a falta de vida e de liberdade, e eu cantei suas letras...
Fui rasgando toda minha pele, todos os fios condutores de verdade, tudo o que eu carregava como “natural”; e entendia pouco a pouco que tudo o que acreditamos e vivemos é uma construção, e que sendo uma construção pode ser reconstruído.
E aquele grupo tentava viver uma reconstrução. Com tropeços, com queixas, com medos, com inseguranças, mas foi ali que eu aprendi que o mais bacana da vida é “mudar quando é lua cheia...”
Com o passar dos anos as questões foram crescendo dentro de mim, como milhares de fios que vão se espalhando pelo corpo até criarem seu próprio corpo. Em torno dos meus dezessete anos eu já sabia o que eu não queria, então decidi que não comeria mais carne, foi uma escolha mais emocional do que racional como a maior parte das minhas escolhas. E foi ai também que eu comecei a entender que a minha pele é quem fala mais alto em mim...
Não foi uma mudança fácil e nem simples, como eu acabo dizendo que foi contrariando a minha própria filosofia da construção. Brigas para tudo quanto é lado, como assim? Você vai morrer! Vai ter anemia! Vai ficar sem músculos... Eu quase não respondia, porque eu não sabia responder... ou esbravejava ou chorava, o que também mais pra frente entendi: que as minhas lágrimas são as que mais alto respondem por mim, mas ainda vou aprendendo a não ter vergonha delas e a saber responder de outras maneiras com elas sempre presentes.
Alguns anos depois foi embarcada pelas reflexões que tal escolha abrangia, muitas e muitas... E fui agregando racionalidade à minha escolha. Decidi ser vegana, agora numa decisão equiparada entre pele e razão, já que me corpo começava a recusar determinados alimentos enquanto eu ia conhecendo outras pessoas de vida paralela... ah as pessoas de vida paralela, como me alegra saber que elas existem, mais ainda quando estamos por perto.
A minha escolha não é por uma vida saudável, nem pelo desmatamento, nem por dó...
Aprendendo e refletindo sobre mim, sobre o que acredito, minhas utopias, entendendo os fios que crescem em mim, sim eles continuam crescendo aqui dentro, e sentindo pulsar e sangrar o que repudio. Eu quero vida, eu quero liberdade, e não estou viva e nem livre enquanto qualquer animal, humano ou não, não o for... livre, livre, livre... Me angustia profundamente saber que há animais, humanos ou não, que nascem para servir ao homem, alguns com o trabalho, outros com a carne, outros com o leite, outros com os ovos, outros com os ossos, outros com a pele, outros com a força, outros, outros, outros...
E entendi que não consigo e que não quero colocar pra dentro de mim, que não quero comer (sim sou uma pessoa que acredita no poder das metáforas) o que não quero que seja a realidade... Tento então em tudo quanto for possível viver o que acredito.
Vixe! Isso vai mudar alguma coisa? Talvez sim, talvez não. Mas acredito na simbologia de ações paralelas ao que se tem como natural. Eu acredito na construção e por isso tento construir com o meu corpo, com as minhas atitudes, com as minhas relações a minha utopia: liberdade e vida.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
A pele dela decidiu desta vez
De não responder às melhores coisas
Da vida
E do seu corpo
As coisas que fogem da razão do outro
E encontram na sua pele um sentido de ser
Então ela:
Abriu-se em janela
Em ar
Foi com tudo que ouviu
Dançou
Voou
Beijou
Abriu-se em torneira
Em água
Foi com tudo que lhe molhava
O espírito
A saliva da boca
Dançou com os poros que ficaram no ar
Voou com os ruídos que o ar deixou
Beijou, beijou-se no ar
Foi com qualquer sinal que o seu corpo reconhecia
Um reconhecimento seu
Reconhecido na saliva
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Carnaval já tem seu fim na terra das marias
Ah! Dona Maria! Quem mandou não estudar? Tem oportunidade pra todos nessa vida, ta certo que só uns poucos vingam... Assim você teria que ser dona da limpeza de apenas uma casa... afinal se todos tiverem oportunidade de estudar, de crescer na vida, crescer e aparecer!, ganhar dinheiro, ter as sonhadas propriedades: o carro e a casa, como é que nós ficaríamos? Quem vai limpar a NOSSA sujeira?
E eu como sei que o carnaval das donas marias desse prédio já teve fim? Sei porque almoço com elas todos os dias... olho para todos os lados do refeitório, mas acabo sempre do lado delas... talvez seja porque tem uma dona Maria lá em casa, e sempre me senti bem perto dela, minha mãe, que é dona da limpeza em três casas há uns 45 anos, desde seus 8 anos de idade!
Bora dona Maria
Limpar a sujeira que é toda SUA
Toda SUA de limpar
Bora dona da limpeza
Mariar nas casas
Ser Maria em todo lugar
Bora dona de casa
Cuidar do que é teu
A casa é mais tua
É tua Maria!
Tua casa
Tua sujeira
Bora ser escrava e mariar
Fernanda Moreno