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sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

De perto fica longe

Ao longe há pés
Buscam o fundo
De tudo de mim
Não há lugar para um rosto
Que urge e ladra
Caça todos
Não foge de nada

Ao longe há pegadas
Dos meus seres
Dos meus loucos seres
Em cada traçado deixaram um sentido
Em cada símbolo, meu transporte
Para sair
Quero sair

Ao longe há morte
Abandonarei a angustia
A busca
A falta
De amigos
De amores
De completude minha

Ao longe há lugar
Para os in-modos
Incertezas
E fúrias
De homens
De sentidos
De presença

Ao longe há gotas
Mostram a estranheza
A desmodulção do meu quadro
Não molda
Não pinta
Não encanta a multidão
Gotas que ferem
Ultrajam meu olhar

Ao longe um sorriso
De vitória
De conquista
Do ser

O ser
Pula
Quebra
Seu próprio muro
Lacra os olhos
Lacra os dedos
Cancela a vida
E vive


Fernanda Oliveira

2 comentários:

Fer disse...

"(...)cancela a vida. E vive."
Muito bom isso.

Flávia disse...

Nanda, sinceramente esse texto está especial! Parabéns.
:o)