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domingo, 3 de fevereiro de 2008



PSEUDO



E coloca a máscara, aquece a voz, rememora o texto, já decorado há anos. Texto marcado, nem lhe serve o improviso. Sobe no seu grande espetáculo. Apresenta-se, re-presenta-se. E com sua atuação baila na imaginação do público, se deleita com mentiras, leva o público a sua verdade mesquinha.
Passa-se o tempo... e o público em êxtase vibra, aplaude de pé, arde de encanto, se entrega ao charlatão dos palcos.
As luzes se apagam. O palco nu, e a máscara não caí no camarim. O moço a carrega presa a face, nem se olha no espelho- se olhasse não se enxergaria. Caiu no abismo do seu ego, da sua representação, caiu no abismo de suas convicções e está só. Sem compaixão, sem verdade, só carrega desespero no peito, mas a máscara o segura.
Respira antes de pisar no asfalto, a realidade é mais um espetáculo. Caminha com a máscara presa a fase que logo se estenderá por seu corpo, suas formas, veias, artérias e por fim sua alma. O moço brilhante do palco não é mais nada.
Flávia Pereira

4 comentários:

Nesga disse...

rsrsrs, caramba Flá que d++ isso!

Lincoln Martins disse...

bom, mesmo amor! Só que face é com "c". Desculpa, não me contive. Mas gostei muito...

Nesga disse...

obrigada pela correção, sem problemas com isso, pode corrigir quando quiser.

Abraços belle souer

fernanda disse...

lindo...